Escrevi quase nada na agenda do ano de 1997. Deu pena, era cheia de poemas. Guardei. Neste ano de 2008, não tive dó. Passei a tesoura!

E coloquei uma capa. Verde, como as venezianas!
Inspirada, fiz um caderno de notas. Verde.
Como devem ser as canetas e os poemas.
E mais não falo, deixo vocês com Mário!
I
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!… E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons… acerta… desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas…
Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…
Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando!
em A Rua dos Cataventos

